Oi, gente!!! Hoje é o dia da Larissa aqui. 

À primeira vista, Americanah parece um romance que se passa nos Estados Unidos. Uma história como outra qualquer, linear, com início meio e fim.

Isto é, se você não prestar atenção nos nomes dos personagens principais. E se não conhecer a autora, a badalada escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.
Ifemelu e Obinze se conheceram em Lagos, na Nigéria, durante a faculdade. A tia de Ifemelu vai para os Estados Unidos logo após um golpe de Estado que ocorre no país, levando consigo seu filho ilegítimo com um poderoso general. Isso abre os caminhos para Ifemelu, que vai atrás dela pouco tempo depois. Obinze pretende ir encontra-la mais tarde, porém, após o ataque às torres gêmeas de 2001, não consegue. 

Daí por diante, os antigos amantes de desencontram, seguindo as suas vidas, Ifemelu se adaptando aos Estados Unidos e ao status de africana não americana, e Obinze fazendo de tudo para permanecer na Inglaterra. Cada um conhecendo novas pessoas, cada um com seus sofrimentos e indignidades que passaram para chegar ali.

À medida que conhece os costumes americanos, Ifemelu passa a lidar com as diferentes formas como o negro trata o outro e é tratado pelos brancos nos Estados Unidos. Na qualidade de imigrante, hábitos que se naturalizaram entre imigrantes e negros americanos são estranhos para ela, que acaba criando um blog com as suas críticas sociais.

“Americanah” é uma leitura rápida, fácil, porém indigesta às vezes. Porque, por mais que nós brancos tentemos não ser racistas, o racismo e o preconceito está presente nas menores coisas. Na forma como revistas de circulação geral têm poucas modelos negras, ou tutoriais de maquiagem para negros, dos salões de beleza especializados ou não, nos cabelos, ou como às vezes cometemos o erro de falar que uma pessoa é um “negro bonito”, ou dizer que uma pessoa é bonita por ser negra, como nos sentíssemos nessa obrigação.

O que confere ainda mais força à narrativa é o fato de a própria Chimamanda Ngozi Adichie ser nigeriana. As observações dela são legítimas, e por isso a alternância entre a vida fictícia de Ifem e Obinze, e o seu blog tornam esse livro tão interessante. Tendo a gostar de histórias que abarcam fatos históricos como o 11 de setembro e a eleição de Barack Obama.

Outra coisa que me aproximou de “Americanah” foi o fato de ter compartilhado algumas experiências com a Ifemelu, na qualidade de estrangeira e de mulher. A questão da saudade, e não uma saudade boa, mas de quando você está em um local e não sabe como se colocou naquela situação, e o afastamento de algumas pessoas, e o lado do Obinze. No período em que Ifemelu sofre com depressão, isso toca fundo e parte o coração. Quando ela fala que nunca valorizamos tanto o nosso país e nossos conterrâneos como quando estamos distantes.

E quando Ifemelu se relaciona com outras pessoas, isso não é apresentado como pessoas desinteressantes, muito pelo contrário. São pessoas que acrescentam algo, nem que sejam observações antropológicas. Tal como na vida, ninguém é perfeito, mas não deixa de ser especial. Esse realismo nas relações enriquece ainda mais, e nos faz torcer pelos personagens.


Este livro fez mais do que entreter. Ele informa, faz pensar, colocar a mão na consciência, refletir sobre coisas que nem valorizamos e pensamos que o outro está exagerando. São tantas coisas no meio, tantos temas dentro de um, que o romance em si acaba ficando em segundo plano. Às vezes eu lia correndo as partes de romance para chegar logo ao blog da Ifemelu. É importante ler, independente da sua nacionalidade, cor ou sexo.  Não importa de que lugar, ele terá sua importância. 

"Americanah" recebeu o prêmio de ficção do National Book Critics Circle (Círculo Nacional de Críticos de Livros e foi selecionado como um dos 10 melhores livros do ano pelo The New York Times Book Review, pela  BBC e pela Newsday.

A autora, Chimamanda Ngozi Adichie, tem outros trabalhos, como Meio Sol Amarelo, e o livreto "Sejamos  todas feministas", além de várias outras obras publicadas. Em seus trabalhos, ela tende a falar sobre o feminismo e a representatividade. 
Vocês podem ver, no link, seu discurso no TED Talk.


Ficha técnica: 

Título: Americanah
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Gênero: Literatura Nigeriana em inglês 
Número de páginas: 516
Editora: Companhia das Letras. 

Beijos da Lari

12 Comentários

  1. Gostei da resenha. Me deixou mais curiosa ainda! Já tá na minha lista. Eu li Hibisco Roxo pra faculdade e também gostei muito.
    Abração

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    1. Obrigada. Esse Hibisco Roxo também é dela? Vou procurar!!!

      Bjosss

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  2. Já comecei lendo essa resenha com um sorriso enorme! Um livro que se passa na Nigéria :o que diferente! Que cultural, achei bem bacana a premissa do livro. E parece que o livro torna-se super sério ao tratar de determinados assuntos em relação a Ifemelu e a forma como é tratada =(. Gostei por ser um livro fácil e rápido, isso atrai na leitura e talvez mais pessoas possam se ver conscientizadas dessas práticas racistas :\ infelizmente está intrínseco na sociedade e isso é mto triste. Nós brancos precisamos reconhecer nossos privilégios e agir diferente. Esse livro pode mostrar um pouco disso, levar a reflexão. Parece bastante interessante. E fiquei mega feliz de saber que o livro levou um prêmio! Parabéns pelo post, excelente resenha de um livro que parece também excelente!

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  3. O livro é bastante interessante, aborda temas polêmicos como o racismo, preconceito,diferenças culturais. A protagonista parece ser uma mulher forte que enfrenta de frente os desafios. Gostei bastante do livro pois com o livro conhecemos mais sobre a cultura desse país, adorei a dica do livro e a resenha, bjs.

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  4. Oláááááááááá Lariiiiiiiii
    Aeeeeeeeeee (fazendo a dancinha, cantando musiquinha) toca aqui miga 0/\0
    Achoq ue é o primeiro livro que leio resenha sua que já li também (mais dancinha)
    Li para a aula de História do direito, mas ler Chimamanda é empoderamento.
    Americanah, Hibisco Roxo e Meio Sol Amarelo (esse assisti o filme também com o meu crush cinematográfico Dominic Cooper e Chiwetel Ejiofor.
    É impressionante a experiência exposta ao racismo indisfarçável.
    Uma história de amor, com personagens complexos e como protagonista uma mulher que ao mesmo tempo é segura e cheia de dúvidas como todas nós.
    Ifemelu e o blog é uma outra história de amor <3 sob o ponto d evista de uma africana não americana, uma obra de ficção, mas real. Uma obra que deveria ser lida nos vestibulares alguma coisa como um romance épico nos dias em que vivemos.
    Racismo, desigualdade, imigração, crítica social, trabalhados com maestria e muitas vezes um soco no estômago.
    Os capítulos alternados com Obinze conferem uma perspectiva ainda mais ampla, mostrando força e frustração.
    Uma das partes mais emocionantes é sem dúvida quando ela volta e sente o peso do "aculturamento".
    A nostalgia e a saudade "criam" lugares que só existem na nossa lembrança :/
    Como sempre lacrou na resenha <3
    Uma excelente semana pra ti guria
    Bjs Luli
    Café com Leitura na Rede


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  5. Olha,O livro parece realmente bom pôs abortas uns assuntos da vida,Gostei da principal que ela é forte e guerreira,Foi um bom livro para dica de resenha eu sinceramente achei bem interessante,Eu gostaria de ler em um local aberto,seria ótimo.

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  6. Oie
    Estou bem curiosa por este livro. Inclusive eu estou lendo este livro da autora Sejamos todas feministas para um trabalho da faculdade e é muito bom.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  7. Olá,
    o livre parece mesmo bom, gostei da sua resenha.
    Aborda temas sensíveis o que eu gosto de ler.
    Obrigado pela partilha
    Beijos

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  8. Realmente, mesmo não querendo a opressão branca é tanta que não tem como fecharmos os olhos e falar que racismo não existe. Ele existe sim e isso me enoja, somos todos iguais, temos os mesmos orgãos, temos a mesma quantidade de dedos nas mãos e nos pés, o mesmo coração. Como pode ainda existir pessoas que acham divertido mexer com a outra só pela cor de pele? A vida é tão curta para ficarem assim, isso gera crime de ódio e o amor vai embora. Fiquei muito interessada no livro por se tratar de uma mulher. A mulher, não importa a cor ou a crença, é a que mais sofre, a que mais tem que travar uma luta diária e sobreviver na rua. Vou ver se acho o ebook dele porque né, estou de castigo sem poder comprar livros até terminar a pilha que acumulei aqui, hehehe. Beijos.

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  9. É o género de livros que gosto de ler. Com alguns factos reais. Sobre outras culturas (é uma forma de conhecer sem sair do sitio). Que toca pontos sensíveis, nesse caso é o preconceito e o racismo. Escrito a partir do ponto de vista de alguém que vem de um país bem diferente daquele onde eu estou. Vai para a minha lista de livros a procurar e ler! ;)

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  10. É bem interessante a historia do livro, pois retrata bem o que acontece na real, com quem é negro e principalmente se for imigrantes pois eles tem que se adaptar em uma outra cultura e que muitas vezes é racista de algum modo. Eu gostei muito de conhecer a autora e saber que ela tem outros livros.

    http://fabiisanto.blogspot.com.br/

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  11. Oi Lari, tudo bem?

    Realmente parece ser um livro bem informativo e acho que já por isso valeria a pena ler. E acho que é bom ler coisas indigestas às vezes, sair da zona de conforto, refletir e aprender coisas novas. Gostei muito da sua resenha!!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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